Lucas Peralles, nutricionista esportivo e fundador do Método LP, aponta que poucos nutrientes carregam tanto preconceito quanto os carboidratos. Associados de forma equivocada ao ganho de peso e à falta de disciplina alimentar, eles acabam eliminados de rotinas que, paradoxalmente, dependem justamente desse macronutriente para sustentar treinos intensos e gerar resultados consistentes ao longo do tempo.
Este artigo discute o papel real dos carboidratos na performance física, os riscos de eliminá-los sem critério, como ajustar o consumo conforme o tipo de treino e o objetivo individual, e por que o medo desse nutriente costuma prejudicar mais do que ajudar. A proposta é trazer uma visão equilibrada, baseada em fisiologia e comportamento, capaz de orientar decisões mais conscientes sobre alimentação para performance.
Por que os carboidratos têm má fama na nutrição esportiva?
A demonização dos carboidratos ganhou força com dietas restritivas que prometem emagrecimento rápido, ignorando o papel funcional desse nutriente no organismo. Lucas Peralles evidencia que esse discurso simplificado se espalhou nas redes sociais, criando a ideia equivocada de que qualquer fonte de carboidrato compromete a composição corporal, independentemente do contexto em que é consumida.
Na prática, o problema raramente está no nutriente em si, mas na quantidade, na qualidade das fontes escolhidas e na forma como ele se encaixa na rotina alimentar como um todo. Tratar carboidratos como vilões universais ignora décadas de evidência sobre seu papel na saúde metabólica e na sustentação de treinos de alta intensidade.
Qual a real função dos carboidratos no desempenho físico?
Os carboidratos representam a principal fonte de energia para atividades de média e alta intensidade, sendo armazenados como glicogênio nos músculos e no fígado. Durante o treino, esse glicogênio é mobilizado para sustentar a contração muscular, e sua disponibilidade influencia diretamente a capacidade de manter ritmo, força e volume de treino ao longo da sessão.
Quando o consumo de carboidratos é insuficiente, o corpo recorre a outras fontes de energia, o que pode comprometer a performance e acelerar a sensação de fadiga. Esse cenário também interfere na recuperação muscular, já que o glicogênio é essencial para repor os estoques utilizados durante o esforço físico, afetando o desempenho nos treinos seguintes.
Cortar carboidratos ajuda ou prejudica o emagrecimento?
Reduzir carboidratos de forma abrupta pode gerar perda de peso inicial, mas esse resultado costuma ser pouco sustentável e frequentemente associado à perda de massa muscular, não apenas de gordura. Esse padrão alimenta o conhecido efeito sanfona, no qual o peso perdido retorna rapidamente após o fim da restrição, muitas vezes acompanhado de dificuldades metabólicas adicionais.

Lucas Peralles, especialista em comportamento alimentar com anos de experiência, reforça que o emagrecimento sustentável depende menos de cortes radicais e mais de ajustes estratégicos, que respeitem a relação da pessoa com a comida e sua rotina de treino. Eliminar um grupo alimentar inteiro tende a gerar rigidez excessiva, prejudicando a adesão alimentar no médio e longo prazo.
Como ajustar o consumo de carboidratos conforme o tipo de treino?
Não existe uma quantidade fixa ideal para todas as pessoas, já que o consumo de carboidratos deve considerar volume de treino, intensidade, objetivo e até o momento do dia em que a atividade é realizada. Treinos mais longos ou intensos tendem a demandar maior disponibilidade energética, enquanto rotinas mais leves permitem ajustes diferentes sem comprometer o desempenho.
Como referência em nutrição esportiva em São Paulo, Lucas Peralles costuma avaliar essas variáveis de forma individualizada, evitando fórmulas genéricas que ignoram particularidades de cada paciente. Esse cuidado é o que diferencia estratégias eficazes de recomendações padronizadas, frequentemente replicadas sem considerar o contexto de quem treina.
Existe um caminho equilibrado entre restrição e excesso?
O equilíbrio surge quando carboidratos passam a ser vistos como ferramenta, e não como ameaça, conforme costuma reforçar Lucas Peralles em seus atendimentos. Isso significa ajustar quantidade e qualidade das fontes conforme a necessidade real do corpo, priorizando opções que também contribuam para a saúde metabólica e o controle glicêmico ao longo do dia.
Criador do Método LP, Lucas Peralles orienta a reconhecerem padrões de fome, energia e desempenho antes de qualquer corte alimentar, fortalecendo a autonomia alimentar no processo. Na Clínica Peralles, esse acompanhamento individualizado permite ajustes graduais, sustentando consistência alimentar e construção de rotina saudável sem extremismos que comprometam resultados duradouros. A relação entre carboidratos e performance, segundo essa visão, está menos ligada a rótulos de vilão ou herói e mais à forma como esse nutriente é utilizado dentro de uma estratégia alimentar coerente com o treino, o objetivo e a realidade de cada pessoa.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
