A liderança não é um roteiro fixo que se aplica igual em qualquer contexto, ressalta Rolando Bonaccorsi, diretor de operações da Vert Analytics. Até porque, quando um gestor tenta comandar programadores, designers e analistas de marketing com o mesmo tom e as mesmas cobranças, algo trava. Assim sendo, times multidisciplinares pedem leitura situacional, não um manual único de comando.
O motivo é simples: cada função tem ritmo, linguagem e critério de qualidade próprios. Portanto, um estilo que funciona bem com uma equipe de vendas pode sufocar um time técnico acostumado à autonomia. Interessado em saber como aplicar essa lógica na prática? Acompanhe, ao longo deste artigo.
O que muda quando uma equipe reúne perfis tão diferentes?
Equipes multidisciplinares combinam pessoas com formações, prioridades e formas de resolver problemas que raramente coincidem. Um desenvolvedor valoriza clareza técnica e espaço para testar soluções. Já um profissional de comunicação busca alinhamento rápido e feedback constante sobre percepção externa. Tratar os dois com a mesma régua ignora essas diferenças estruturais.
Dessa maneira, o erro mais comum não está na intenção do líder, e sim na tentativa de padronizar o que já nasce diverso. Conforme descreve Rolando Bonaccorsi, isso gera atrito silencioso, queda de engajamento e decisões mais lentas, porque parte da equipe não se sente compreendida pelo modelo de gestão aplicado.
Liderança situacional aplicada a squads diversas
A liderança situacional parte de uma premissa direta: o estilo de comando deve se ajustar ao momento, à maturidade e à natureza da tarefa de cada pessoa ou subgrupo. Não existe um comportamento ideal fixo; existe leitura constante do cenário. De acordo com Rolando Bonaccorsi, essa flexibilidade é o que sustenta equipes com perfis técnicos, criativos e comerciais trabalhando lado a lado. Na prática, isso se traduz nos seguintes ajustes concretos de postura, conforme o contexto:
- Delegação: repassar decisões técnicas a quem domina a área, reduzindo microgerenciamento desnecessário;
- Direcionamento: oferecer instruções mais claras em fases iniciais de projeto ou com profissionais recém-chegados;
- Apoio: acompanhar de perto entregas críticas sem assumir o controle total da execução;
- Delegação plena: conceder autonomia ampla a especialistas com histórico consistente de resultados.
Aliás, alternar entre essas posturas dentro da mesma semana de trabalho não é inconsistência, é resposta adequada a realidades distintas dentro de um mesmo time.
Por que insistir em um único estilo enfraquece squads diversos?
Manter um comportamento fixo cria uma falsa sensação de equidade. Tratar todos igualmente parece justo, mas ignora que cada função exige um tipo de suporte diferente. O resultado é previsível: profissionais técnicos se sentem vigiados em excesso, enquanto áreas que precisam de mais orientação ficam sem direção suficiente.
Essa rigidez explica boa parte dos conflitos internos em equipes multidisciplinares. Conforme enfatiza o diretor de operações da Vert Analytics, Rolando Bonaccorsi, a equipe não perde coesão por causa da diversidade de perfis; ela perde coesão quando a liderança se recusa a variar sua própria atuação diante dessa diversidade.
O ajuste do comando importa mais do que a repetição de um modelo
Adaptar a liderança não significa perder autoridade ou parecer instável diante do grupo. Significa reconhecer que comandar pessoas com formações e objetivos diferentes exige leitura ativa, não um script pronto aplicado indistintamente. Ou seja, uma flexibilidade bem calibrada fortalece a autoridade, em vez de enfraquecê-la.
Dessa forma, equipes multidisciplinares tendem a responder melhor quando percebem que o líder observa antes de agir. No final das contas, esse cuidado evita decisões genéricas e constrói confiança real entre áreas tão distintas, sustentando entregas mais consistentes ao longo do tempo.
