São Paulo já soma 13 casos confirmados em 2026 e o Ministério da Saúde amplia a campanha de imunização antes do fluxo intenso de viajantes para o Mundial.
O alerta que antecede o Mundial
O calendário de 2026 trouxe um desafio extra para a saúde pública brasileira. Com a Copa do Mundo sediada por Estados Unidos, Canadá e México, três países que enfrentam surtos ativos de sarampo, o Ministério da Saúde emitiu uma nota técnica alertando para o risco iminente de reintrodução da doença no Brasil. O documento descreve um cenário de alta transmissibilidade nas Américas somado a um grande número de brasileiros com destino aos países sede do evento, o que amplia a chance de casos importados após o retorno dos viajantes ou com a chegada de estrangeiros infectados, segundo informou a Agência Brasil (https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-04/ministerio-da-saude-alerta-para-risco-de-casos-do-sarampo-apos-copa).
Os números que embasam essa preocupação são expressivos. Os Estados Unidos registraram 2.144 casos em 2025 e já somam 1.792 este ano, com transmissão ainda ativa. O Canadá teve 5.062 registros em 2025, o que levou o país a perder o status de nação livre da doença, e acumula 907 casos em 2026. Já o México viveu uma escalada acentuada: de apenas 7 casos em 2024 para 6.152 em 2025 e mais de 10 mil notificações neste ano, conforme dados divulgados pelo próprio Ministério da Saúde (https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2026/abril/brasil-lanca-campanha-de-vacinacao-contra-sarampo-para-protecao-dos-torcedores-que-vao-para-copa-do-mundo-de-2026).
A campanha “Vacinar é muito Brasil”
Diante desse cenário, a pasta lançou em abril a campanha nacional de vacinação voltada especificamente a quem vai viajar para o Mundial. Batizada de “Vacinar é muito Brasil”, a iniciativa foi apresentada na Fundação Gol de Letra, no Rio de Janeiro, e conta com parcerias como Embratur, a Associação Brasileira de Empresas Aéreas e a Confederação Brasileira de Futebol. A proposta é simples: reforçar, pelos canais de mídia digital, a orientação para que torcedores confiram e atualizem a caderneta de vacinação antes do embarque, seguindo o Calendário Nacional de Vacinação.
A proteção contra o sarampo é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde por meio das vacinas tríplice viral, que também imuniza contra caxumba e rubéola, e tetraviral. A orientação vale não só para quem vai viajar, mas também para quem vai receber turistas e estrangeiros no país durante o período do torneio, já que a concentração de pessoas em estádios e centros urbanos favorece a circulação de vírus respiratórios de alta transmissibilidade como o do sarampo.
O que mostram os dados mais recentes em São Paulo
Enquanto a campanha nacional avança, o estado de São Paulo já sente na prática o efeito do aumento de casos importados. Segundo reportagem publicada nesta terça-feira (21) pelo Diário do Grande ABC, o estado confirmou 13 casos de sarampo em 2026, registrados tanto em bebês de até 1 ano quanto em adultos entre 20 e 50 anos. A Secretaria de Estado da Saúde reforçou a orientação para que a população mantenha a vacinação em dia e manteve, como medida adicional, a recomendação da chamada dose zero da tríplice viral para bebês de 6 a 11 meses residentes em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, municípios considerados de maior risco para reintrodução do vírus (https://www.dgabc.com.br/Noticia/4336547/sp-soma-13-casos-de-sarampo-em-2026-e-amplia-alerta-para-vacinacao).
Vale lembrar o histórico recente da doença no país para entender por que cada caso novo gera atenção redobrada das autoridades. O Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde o certificado de eliminação do sarampo em 2016, mas perdeu esse status em 2019 após a circulação voltar a partir de 2018, associada ao fluxo migratório e à queda na cobertura vacinal. Entre 2018 e 2022, foram mais de 39 mil casos no país. Em novembro de 2024, o Brasil recuperou a certificação e mantém esse status até hoje, ainda que registre casos esporádicos ligados à importação do vírus, segundo o próprio Ministério da Saúde (https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/sarampo/situacao-epidemiologica).
Por que a cobertura vacinal ainda preocupa
Um dos pontos mais sensíveis dessa história é justamente a cobertura vacinal, que segue abaixo da meta ideal de 95% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde. Quando menos pessoas são vacinadas, o chamado efeito rebanho perde força e a porta fica aberta para que um único caso importado se transforme em uma cadeia de transmissão local, como já ocorreu em surtos anteriores no país. É justamente esse risco que motiva o esforço simultâneo de campanhas de conscientização, vacinação de bloqueio em torno de cada caso confirmado e monitoramento epidemiológico contínuo pelas secretarias estaduais e municipais.
Para o leitor que está se organizando para acompanhar a Copa do Mundo, seja no exterior ou recebendo visitantes no Brasil, a recomendação prática que aparece em todas as notas oficiais é a mesma: verificar a caderneta de vacinação com antecedência e procurar uma unidade de saúde para atualizar o esquema vacinal, se necessário. Pessoas com sintomas como febre alta, manchas vermelhas pelo corpo, tosse e conjuntivite após retornar de viagem devem procurar atendimento médico o quanto antes, já que o diagnóstico e a conduta adequados dependem sempre de avaliação profissional presencial.
A expectativa das autoridades sanitárias é que o reforço da campanha, somado à vigilância ativa em aeroportos e unidades de saúde, seja suficiente para conter eventuais casos importados sem que eles evoluam para surtos maiores durante o período do torneio. O acompanhamento da situação epidemiológica seguirá sendo divulgado periodicamente pelo Ministério da Saúde ao longo dos próximos meses.
