Para Tiago Schietti, a aproximação entre cemitérios e instituições de ensino superior representa uma das mais promissoras oportunidades de desenvolvimento do setor funerário brasileiro. Essa relação, ainda pouco explorada na prática, tem o potencial de modernizar processos, qualificar profissionais e elevar os padrões de gestão de um segmento que lida diariamente com demandas humanas, administrativas e ambientais de grande complexidade. Nos próximos parágrafos, você vai entender como essa parceria funciona, quais são seus benefícios concretos e por que ela merece atenção imediata dos gestores do setor.
Por que o setor funerário ainda carece de base acadêmica sólida?
O mercado funerário brasileiro cresceu de forma significativa nas últimas décadas, mas sua profissionalização não acompanhou esse ritmo na mesma velocidade. Grande parte das decisões ainda é tomada com base em experiência empírica, sem o respaldo de dados estruturados, metodologias testadas ou estudos aplicados à realidade do setor. Esse cenário cria lacunas importantes na gestão de cemitérios, desde a administração de espaços até o relacionamento com famílias enlutadas.
É justamente nesse ponto que a pesquisa acadêmica entra como aliada estratégica. Universidades dispõem de ferramentas metodológicas, capacidade analítica e corpo docente especializado que podem ser direcionados para investigar os desafios específicos do setor. Quando esse conhecimento chega à prática, os resultados tendem a ser mais duradouros e fundamentados do que soluções improvisadas ou replicadas de outros contextos sem a devida adaptação.
Como as parcerias entre cemitérios e universidades podem funcionar na prática?
Segundo Tiago Schietti, a estruturação dessas parcerias pode ocorrer de diversas formas, desde convênios formais para realização de pesquisas aplicadas até programas de estágio supervisionado, cursos de extensão e desenvolvimento conjunto de indicadores de desempenho. O importante é que a colaboração seja construída com objetivos claros e comprometimento mútuo entre as partes envolvidas.
Na prática, universidades podem contribuir com estudos sobre gestão ambiental em cemitérios, análise de fluxo operacional, protocolos de atendimento humanizado e estratégias de comunicação institucional. Por outro lado, os cemitérios oferecem campo de pesquisa real, dados concretos e a possibilidade de aplicação imediata dos resultados, o que enriquece a formação acadêmica e confere relevância prática às investigações realizadas.

Quais são os principais benefícios dessa integração para a gestão de cemitérios?
De acordo com Tiago Schietti, os ganhos dessa integração se manifestam em diferentes dimensões da gestão. Entre os benefícios mais relevantes para os cemitérios que adotam esse modelo de colaboração, é possível destacar os seguintes pontos:
- Desenvolvimento de indicadores de desempenho específicos para o setor funerário;
- Capacitação contínua de equipes com base em metodologias atualizadas e validadas;
- Melhoria nos processos de gestão ambiental e uso sustentável do espaço físico;
- Aprimoramento do atendimento às famílias com base em estudos de luto e humanização;
- Criação de protocolos operacionais mais eficientes, auditáveis e replicáveis.
Cada um desses pontos representa uma área em que a pesquisa acadêmica pode gerar impacto direto na qualidade dos serviços prestados. Quando aplicados de forma integrada, esses avanços contribuem para a construção de uma gestão mais profissional, transparente e orientada por evidências concretas.
De que forma a inovação acadêmica impulsiona a competitividade do setor funerário?
Conforme destaca Tiago Schietti, cemitérios que investem em conhecimento tendem a se posicionar de forma mais competitiva no mercado. A inovação não precisa ser exclusivamente tecnológica para transformar uma operação; muitas vezes, ela começa pela adoção de uma cultura baseada em dados, avaliação contínua e aprendizado sistemático, elementos que a universidade oferece com consistência.
Além disso, a parceria acadêmica fortalece a reputação institucional dos cemitérios perante a sociedade. Um equipamento público ou privado que demonstra comprometimento com a pesquisa e o aprimoramento contínuo transmite credibilidade, confiança e responsabilidade social, atributos cada vez mais valorizados pelas famílias e pela comunidade em geral.
A pesquisa acadêmica como caminho definitivo para a modernização do setor funerário
O avanço do setor funerário brasileiro depende, em grande medida, da capacidade de seus gestores de enxergar além das rotinas operacionais e investir em conhecimento de longo prazo. As parcerias entre cemitérios e universidades não são uma tendência distante; são uma estratégia concreta e acessível para quem deseja elevar o nível de profissionalismo e eficiência da sua gestão. Como aponta Tiago Schietti, esse caminho já está sendo trilhado por instituições que compreenderam o valor estratégico do saber acadêmico aplicado à realidade do setor.
Portanto, o momento de agir é agora. Estabelecer conexões com instituições de ensino, mapear oportunidades de pesquisa e abrir as portas do cemitério para o conhecimento científico são passos que podem redefinir o futuro da gestão funerária no Brasil. Mais do que uma escolha, trata-se de uma responsabilidade com a qualidade dos serviços prestados e com as famílias que confiam nesse setor em seus momentos mais delicados.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
