Decisão reforça calendário vacinal após revisão técnica; sarampo também volta ao radar com recomendação de dose adicional para crianças em São Paulo e Guarulhos
O Sistema Único de Saúde anunciou, na última semana de junho de 2026, duas mudanças relevantes no calendário vacinal que afetam diretamente pediatras, médicos de família e profissionais de vigilância em saúde. O SUS voltou a aplicar duas doses de reforço da vacina contra a poliomielite, revertendo uma alteração anterior que havia reduzido o número de doses no esquema de reforço. A decisão foi tomada no âmbito do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e deve ser comunicada às equipes de atenção primária de todo o país. Agência Brasil
A mudança no esquema da pólio ocorre em um momento em que a vigilância epidemiológica global está atenta ao reaparecimento da doença em países que haviam eliminado o vírus selvagem. Surtos de poliovírus derivado de vacina, associados a coberturas vacinais insuficientes, foram registrados em países africanos e asiáticos nos últimos anos e reacenderam alertas também nos países com histórico de erradicação. O Brasil eliminou a poliomielite em 1994, mas a manutenção dessa conquista depende de coberturas vacinais acima de 95%, um patamar que o país tem enfrentado dificuldade para sustentar de forma homogênea em todas as regiões.
Por que a cobertura vacinal preocupa os especialistas
A queda nas coberturas vacinais é um fenômeno global que no Brasil ganhou intensidade a partir de 2016 e piorou durante e após a pandemia de covid-19. A poliomielite e o sarampo são duas das doenças cujas coberturas caíram mais expressivamente, tanto por hesitação vacinal quanto por dificuldades logísticas de acesso às unidades de saúde. A retomada das duas doses de reforço para a pólio é uma resposta técnica a esse cenário, na medida em que aumenta a proteção de crianças que possam ter respondido de forma subótima ao esquema básico de imunização.
O Ministério da Saúde recomendou o reforço da vacinação contra o sarampo para crianças em São Paulo e Guarulhos, em um alerta epidemiológico que confirma a circulação do vírus nessas regiões. O sarampo é uma das doenças mais contagiosas conhecidas pela ciência e pode causar complicações graves, incluindo encefalite e pneumonia, especialmente em crianças menores de cinco anos e em imunodeprimidos. A recomendação de dose adicional para as crianças da região metropolitana de São Paulo é uma medida de contenção de um surto que ainda está sob monitoramento. gov.br
O papel do médico e da equipe de saúde
Para os profissionais que atuam na atenção primária, essas mudanças têm impacto direto na rotina das consultas. A revisão do calendário vacinal exige atualização imediata do conhecimento sobre as indicações, contraindica a aplicação fora das recomendações técnicas e demanda comunicação clara com as famílias. Muitos pais e responsáveis chegam às unidades de saúde com dúvidas geradas por informações incorretas que circulam nas redes sociais, e o papel do profissional de saúde é central na desmistificação dessas desinformações.
A retomada das duas doses de reforço para a pólio deve ser comunicada pelos coordenadores de imunização estaduais às equipes da estratégia de saúde da família. A mudança implica revisão de estoques, ajuste nos sistemas de informação vacinal e, em alguns casos, convocação de crianças que foram vacinadas com o esquema anterior e que podem precisar de doses complementares dependendo do intervalo decorrido. A capacitação das equipes para esse tipo de transição é sempre um desafio logístico, especialmente nos municípios menores.
O contexto mais amplo da vigilância epidemiológica
As mudanças vacinais anunciadas em junho de 2026 fazem parte de um esforço mais amplo do Ministério da Saúde para reestruturar a vigilância epidemiológica do país após o período crítico de 2020 a 2023. Além da poliomielite e do sarampo, o Ministério da Saúde anunciou em junho a descontinuação temporária da atual estratégia de vacinação da Butantan-DV contra dengue, uma mudança que gerou impacto nos municípios que já haviam incorporado a vacina em seus calendários. A decisão foi baseada em avaliação técnica da Conitec e da Anvisa, e os detalhes da nova estratégia a ser adotada ainda estão sendo definidos. Biblioteca Virtual em Saúde MS
Para os profissionais de saúde, o mais importante neste momento é manter os canais de comunicação com as secretarias estaduais e municipais de saúde abertos e atualizados. Mudanças no calendário vacinal têm prazo de implementação e período de transição que precisam ser respeitados para evitar lacunas na cobertura. A orientação médica a pacientes e familiares deve estar sempre baseada nas diretrizes mais recentes do PNI, disponíveis no portal do Ministério da Saúde. Em qualquer situação de dúvida sobre esquemas vacinais individuais, a recomendação é sempre consultar o médico responsável pelo acompanhamento da criança.
Fontes: Agência Brasil | Ministério da Saúde | Biblioteca Virtual em Saúde
