O Dr. Vinicius Rodrigues lembra que a hiperplasia atípica, uma das lesões de alto risco mais frequentes nas biópsias de mama, aumenta em cerca de quatro vezes a chance de a mulher desenvolver câncer ao longo da vida em comparação com a média. O dado assusta quem recebe esse diagnóstico, mas precisa ser interpretado corretamente. Lesões de alto risco não são câncer, e entender o que significam ajuda a definir o acompanhamento adequado sem alarme desnecessário.
O que são lesões de alto risco?
São alterações benignas identificadas na biópsia que indicam maior probabilidade de câncer no futuro ou que, em alguns casos, podem estar próximas de um tumor ainda não identificado. Funcionam como um marcador de risco, e não como doença maligna.
Entre as mais comuns estão a hiperplasia ductal atípica, a hiperplasia lobular atípica, a neoplasia lobular in situ, algumas lesões papilíferas, a cicatriz radial e a atipia epitelial plana. Cada uma tem comportamento próprio e recebe conduta específica. Em geral, são encontradas em biópsias feitas por causa de microcalcificações ou pequenos nódulos detectados no rastreamento, sem sintomas associados.
Hiperplasia atípica e neoplasia lobular
A hiperplasia atípica corresponde a um crescimento de células com alterações discretas dentro dos ductos ou lóbulos da mama. As células têm algumas características semelhantes às do carcinoma in situ, mas não preenchem todos os critérios para esse diagnóstico.
A neoplasia lobular in situ, antes chamada de carcinoma lobular in situ, envolve alterações nas células dos lóbulos. Apesar do nome antigo, não é considerada câncer invasivo, mas sim um indicador de risco aumentado para as duas mamas. Segundo Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a mudança de nomenclatura reflete justamente o entendimento de que se trata de um marcador, e não de um tumor que precisa ser retirado a qualquer custo.
Lesões papilíferas e cicatriz radial
As lesões papilíferas crescem dentro dos ductos e podem causar secreção pelo mamilo. A maioria é benigna, mas algumas apresentam atipias associadas. A cicatriz radial é uma alteração em forma de estrela que, na mamografia, pode lembrar um câncer, o que leva à investigação.
Nos dois casos, a decisão sobre retirar ou acompanhar depende do tamanho da lesão, da presença de atipia, da concordância entre imagem e biópsia e da quantidade de material obtido. A retirada completa por mamotomia, sem cirurgia aberta, tem sido uma opção em casos selecionados.
Quando a lesão precisa ser retirada?
Uma parte das lesões de alto risco identificadas em biópsia por agulha revela câncer quando é retirada por completo. O fenômeno, chamado de subestimação, acontece porque a agulha coleta apenas fragmentos e pode não alcançar a área mais alterada.
Por isso, a hiperplasia ductal atípica costuma ter indicação de retirada cirúrgica ou ampliação da amostra. Outras lesões, como a neoplasia lobular sem outros achados e com boa correlação entre imagem e biópsia, podem ser apenas acompanhadas. Na leitura de Vinicius Rodrigues, a decisão deve ser tomada em conjunto por radiologista, patologista e cirurgião.
Como fica o rastreamento depois
Mulheres com diagnóstico de lesão de alto risco passam a ter acompanhamento diferenciado. A mamografia costuma ser anual, e a ressonância magnética pode ser associada conforme o risco calculado e o histórico familiar. O exame clínico das mamas também ganha frequência maior, geralmente a cada seis meses ou um ano.
Medicamentos que reduzem a ação dos hormônios sobre a mama podem ser considerados para diminuir a chance de câncer, após avaliação individual de benefícios e efeitos colaterais. Conforme explica Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, o diagnóstico de uma lesão de alto risco é uma oportunidade de vigilância mais próxima, que permite detectar cedo qualquer alteração futura e agir com antecedência.
