São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo passaram a integrar, desde o início de agosto, uma estratégia ampliada de vacinação contra o sarampo depois da confirmação de novos casos da doença no estado.
A medida, recomendada pelo Ministério da Saúde e adotada pela Secretaria de Estado da Saúde, autoriza a aplicação da vacina tríplice viral para toda a população entre 6 meses e 59 anos nesses três municípios, independentemente da situação vacinal de cada pessoa. A decisão reflete a preocupação das autoridades sanitárias com a circulação ativa do vírus em uma região marcada por intenso fluxo de viajantes e alta mobilidade populacional.
Como surgiu a decisão de ampliar a vacinação
O gatilho para a mobilização foi a confirmação, em 30 de julho, do 15º caso de sarampo no estado de São Paulo neste ano, registrado em uma criança de Guarulhos sem histórico de vacinação contra a doença. Até aquele momento, o Centro de Vigilância Epidemiológica já acompanhava outros casos na capital paulista e em São Bernardo do Campo, a maioria entre adultos de 20 a 50 anos. Diante do cenário, o Ministério da Saúde orientou a ampliação da oferta da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, para toda a faixa etária de 6 meses a 59 anos nos três municípios afetados.
A iniciativa está integrada à Campanha Nacional de Multivacinação – De Olho na Carteirinha 2026, que começou em 3 de agosto e segue até 1º de setembro em todo o país. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 7,2 milhões de doses da vacina tríplice viral foram distribuídas aos estados e municípios ao longo deste ano, das quais cerca de 2,9 milhões já haviam sido aplicadas até a última atualização divulgada pela pasta. Só o estado de São Paulo recebeu 3,2 milhões de doses adicionais para reforçar o abastecimento local. No total, o país já havia aplicado mais de 94,8 milhões de doses do calendário nacional de vacinação neste ano.
Por que a resposta rápida é considerada essencial
O sarampo é uma doença extremamente contagiosa, e um único caso confirmado costuma acionar protocolos de bloqueio vacinal justamente para impedir que o vírus volte a circular de forma sustentada. O Brasil recebeu o certificado de eliminação da doença em 2016, mas perdeu esse status anos depois, quando a cobertura vacinal caiu abaixo dos patamares recomendados pela Organização Pan-Americana da Saúde. Especialistas em vigilância epidemiológica apontam que a queda na adesão às campanhas, somada ao aumento de viagens internacionais, cria condições propícias para a reintrodução esporádica do vírus em grandes centros urbanos.
Dados oficiais mostram que, em 2025, a cobertura vacinal nacional para a primeira dose da tríplice viral ficou em 92,9%, enquanto a segunda dose alcançou 78,3%, patamar considerado insuficiente para garantir a chamada imunidade de rebanho contra o sarampo. Nos três municípios paulistas sob recomendação especial, os números variaram: Guarulhos registrou 91,59% de cobertura na primeira dose e 83,90% na segunda; São Bernardo do Campo apresentou 90,84% e 83,62%, respectivamente; e a capital paulista teve 90,79% e 83,63%. Embora próximos da média nacional, esses índices ainda estão distantes dos 95% recomendados internacionalmente para bloquear a circulação do vírus.
O que muda para quem mora nesses municípios
Diferentemente do restante do estado, onde a campanha está voltada principalmente à atualização da caderneta de crianças e adolescentes até 15 anos, os moradores de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo podem procurar qualquer Unidade Básica de Saúde para tomar a tríplice viral, mesmo que já tenham completado o esquema vacinal anteriormente ou não se lembrem da própria situação vacinal. Crianças entre 6 e 11 meses recebem o que os profissionais chamam de dose zero, uma aplicação de reforço que não substitui as doses previstas no calendário nacional e que precisa ser seguida do esquema regular mais adiante.
Para ampliar a adesão, o Ministério da Saúde organizou o Dia D da Campanha de Multivacinação em 22 de agosto, quando postos de saúde de todo o país funcionaram em horário estendido para facilitar o acesso da população. A campanha nacional oferece, ao todo, 20 imunizantes previstos no calendário, incluindo vacinas contra poliomielite, pentavalente, rotavírus, febre amarela, varicela, hepatite A e B e HPV. Desde 3 de agosto, o esquema contra a poliomielite também passou a incluir um segundo reforço da vacina inativada aos 4 anos de idade, mudança que complementa o modelo adotado pelo Brasil desde 2024.
O que esperar nas próximas semanas
Enquanto a campanha segue até o início de setembro, as equipes de vigilância epidemiológica continuam monitorando a evolução dos casos confirmados no estado. As investigações incluem o rastreamento de contatos e ações de bloqueio vacinal ao redor de cada notificação, prática padrão para conter a disseminação do vírus antes que ele se estabeleça de forma contínua na população. Autoridades de saúde reforçam que manter a caderneta de vacinação atualizada continua sendo a principal ferramenta de proteção individual e coletiva contra o sarampo, especialmente em regiões metropolitanas com grande circulação de pessoas.
Fonte: gov.br/saude
