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Folha Médica > Blog > Saúde > Brasil registra menor número de casos de malária em quase 50 anos com ajuda de novo medicamento
Saúde

Brasil registra menor número de casos de malária em quase 50 anos com ajuda de novo medicamento

Hana Velorin
Hana Velorin Publicado agosto 24, 2026
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O Brasil atingiu, em 2025, a menor taxa de casos de malária dos últimos 47 anos, resultado atribuído em boa parte à incorporação da tafenoquina ao Sistema Único de Saúde. Os dados foram apresentados pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, realizado em Brasília, e mostram uma queda expressiva tanto no número de infecções quanto nas mortes causadas pela doença nos últimos dois anos.

Os números que marcam a queda da doença

Segundo o Ministério da Saúde, o país registrou 118.037 casos de malária contraídos em território nacional em 2025, uma redução de 15% em relação ao ano anterior e o menor patamar desde 1978. As mortes pela doença caíram de 56, em 2024, para 39 em 2025, uma queda superior a 30%. Os casos da forma mais grave da malária também recuaram 30,7% no mesmo período. Entre janeiro e julho deste ano, a tendência de queda se manteve: os registros passaram de 17 mil para 7,6 mil na comparação com igual período do ano anterior, recuo de 55%.

A tafenoquina foi incorporada ao SUS em 2023 para pacientes adultos com 16 anos ou mais e peso igual ou superior a 35 quilos, e sua oferta efetiva começou em 2024. A grande diferença em relação a tratamentos anteriores está na forma de administração: uma única dose, com ação prolongada, capaz de atuar sobre a forma do parasita que permanece alojada no fígado após a infecção inicial. Esse é justamente o mecanismo responsável pelas recaídas frequentes na malária causada pelo tipo mais comum da doença no Brasil, que sem o tratamento adequado pode voltar a se manifestar meses depois do quadro inicial parecer resolvido.

O alcance do medicamento até agora

Até junho de 2026, mais de 33,7 mil pessoas já haviam recebido tratamento com tafenoquina em todo o país. Desse total, 3.920 tratamentos foram realizados em Distritos Sanitários Especiais Indígenas, populações historicamente mais vulneráveis à doença por viverem próximas a áreas de mata e rios na região amazônica. No Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami, por exemplo, 1.515 pessoas foram tratadas com o medicamento, e a comparação entre março e junho deste ano com o mesmo período de 2025 mostrou queda de 61,9% nas recaídas registradas na região.

Segundo o ministério, o país se tornou o primeiro do mundo a incorporar a tafenoquina ao tratamento público da malária em larga escala, o que trouxe atenção internacional para a experiência brasileira de combate à doença. O ministro Alexandre Padilha classificou os resultados como parte de um esforço mais amplo dentro do programa Brasil Saudável, que estabelece a meta de eliminar totalmente as mortes por malária no país até 2030. Alcançar esse objetivo depende não apenas do novo medicamento, mas também da ampliação simultânea do diagnóstico e da oferta de testes rápidos nas regiões endêmicas.

O peso da malária na região amazônica

A malária segue concentrada majoritariamente na região Norte do país, onde as condições ambientais favorecem a proliferação do mosquito transmissor. Populações ribeirinhas, indígenas e trabalhadores rurais que atuam próximos a áreas de garimpo e extração de madeira costumam figurar entre os grupos mais expostos ao risco de contaminação. A ampliação do acesso a testes diagnósticos rápidos, somada à disponibilidade da tafenoquina nas unidades de saúde dessas regiões, tem sido apontada pelo ministério como fator determinante para sustentar a trajetória de queda observada nos últimos dois anos.

Apesar dos números favoráveis, especialistas em medicina tropical alertam que a malária é uma doença sensível a fatores climáticos e sociais que podem reverter avanços conquistados em pouco tempo. Períodos de maior incidência de chuvas, migração populacional para áreas de garimpo ilegal e eventuais interrupções na cadeia de distribuição de medicamentos e testes são apontados como riscos que exigem monitoramento constante por parte das equipes de vigilância epidemiológica espalhadas pelos estados da região amazônica.

O que o resultado representa para o SUS

Para gestores de saúde pública, o caso da tafenoquina se tornou um exemplo de como a incorporação de uma nova tecnologia terapêutica pode gerar impacto mensurável em um intervalo relativamente curto de tempo. A combinação entre um medicamento de dose única e a expansão do diagnóstico ilustra como estratégias integradas de saúde pública podem produzir resultados concretos mesmo em regiões de acesso mais difícil, como grande parte da Amazônia Legal, onde a logística de distribuição de insumos de saúde historicamente enfrenta desafios geográficos consideráveis.

Fonte:

agenciabrasil.ebc.com.br

gov.br/saude

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